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Por que repito os mesmos Padrões, mesmo sabendo que eles me machucam?

23 de jul.
5 min de leitura

Atualizado: 26 de jul.

mulher concentrada em sua leitura

Você já percebeu que quase ninguém decide repetir um erro?


Ninguém acorda pensando:


"Hoje vou voltar para um relacionamento que me faz sofrer."


Ou:


"Hoje vou ignorar os meus próprios limites mais uma vez."


Ou ainda:


"Hoje vou passar horas me cobrando por algo que talvez nem aconteça."


E, ainda assim, muitas pessoas acabam vivendo os mesmos relacionamentos, os mesmos conflitos e as mesmas frustrações.

Até que, um dia, fazem a si mesmas uma pergunta difícil:


"Por que repito os mesmos padrões, mesmo sabendo que eles me machucam?"


Se essa pergunta também é sua, quero que você saiba de uma coisa antes de continuar lendo.

Talvez você tenha passado tempo demais acreditando que havia algo de errado com você.

Mas eu quero lhe dizer uma coisa:


Não há.


Existe uma explicação para isso.

E, mais importante do que isso:

Existe um caminho para mudar.


A mudança não começa quando você decide.


Ela começa quando você entende.

Essa talvez seja uma das maiores armadilhas quando falamos de mudança.

Nós crescemos ouvindo frases como:

"Basta ter força de vontade."

"É só querer."

"Você precisa reagir."

Se fosse tão simples, ninguém permaneceria em um relacionamento que faz sofrer.

Ninguém continuaria dizendo "sim" quando queria dizer "não".

Ninguém passaria noites inteiras dominado pela ansiedade.

A verdade é que nós não somos guiados apenas pelas decisões que tomamos.

Somos guiados também pelas experiências que vivemos.

Pelas histórias que construíram quem somos.

Pelas crenças que aprendemos sem perceber.

E, muitas vezes, por feridas que nunca tiveram oportunidade de cicatrizar.


O cérebro não procura felicidade.


Ele procura familiaridade.

Essa é uma ideia que costuma surpreender muitas pessoas.

Nós imaginamos que o cérebro está sempre tentando nos fazer felizes.

Mas, na maior parte do tempo, ele está tentando nos manter seguros.

E, para ele, seguro nem sempre significa saudável.

Seguro significa...


Conhecido.


Imagine uma trilha no meio de uma floresta.

Na primeira vez que alguém passa por ela, quase não existe caminho.

É preciso abrir espaço entre os galhos.

Desviar das pedras.

Escolher por onde seguir.

Mas, conforme outras pessoas passam pelo mesmo lugar, a trilha vai ficando cada vez mais marcada.

Depois de algum tempo, quase ninguém pensa por onde andar.

Os pés simplesmente seguem o caminho.

Com os nossos pensamentos acontece exatamente a mesma coisa.

Cada vez que pensamos da mesma maneira...

Cada vez que reagimos da mesma forma...

Cada vez que aceitamos aquilo que prometemos nunca mais aceitar...

Essa trilha fica um pouco mais forte.

Não porque somos fracos.

Mas porque o cérebro economiza energia escolhendo aquilo que já conhece.

E talvez seja exatamente por isso que você continua vivendo situações que jurou nunca mais viver.


Talvez você esteja repetindo padrões sem perceber.


Eles nem sempre aparecem da mesma forma.

Às vezes eles se escondem em pequenas atitudes do dia a dia.

Você coloca todo mundo em primeiro lugar.

Sente culpa quando estabelece limites.

Pede desculpas por coisas que nem fez.

Se cobra o tempo inteiro.

Tem dificuldade para descansar.

Pensa demais antes de tomar qualquer decisão.

Ou acredita que precisa dar conta de tudo sozinha.

Talvez o padrão seja um relacionamento.

Talvez seja a forma como você se trata.

Talvez seja a maneira como lida com o trabalho, com a família ou consigo mesma.

Os cenários mudam.

Mas a sensação continua sendo a mesma.

"Como eu vim parar aqui de novo?"

Pare por um instante.


Quero fazer um convite.

Não continue lendo imediatamente.

Pense.

Qual situação mais se repete na sua vida?

Existe alguma dor que muda apenas de roupa?

Alguma história que parece ter personagens diferentes...

Mas termina sempre do mesmo jeito?

Às vezes a transformação começa exatamente aí.

Não quando tudo muda.

Mas quando, pela primeira vez, conseguimos enxergar aquilo que antes acontecia no piloto automático.


"Mas eu já sei tudo isso."


Talvez você tenha pensado isso.

E eu acredito em você.

Saber não costuma ser o problema.

Você provavelmente já sabe que deveria descansar mais.

Que precisa estabelecer limites.

Que merece relacionamentos mais saudáveis.

Que não deveria se cobrar tanto.

O difícil não é compreender.

O difícil é responder de forma diferente quando a vida acontece.

É justamente aí que muitas pessoas se frustram.

Porque confundem consciência com transformação.

Mas elas não são a mesma coisa.

Consciência é enxergar.

Transformação é caminhar.

E uma acontece antes da outra.


E onde a ansiedade entra nessa história?


A ansiedade faz o cérebro acreditar que tudo precisa ser resolvido agora.

Ela aumenta o medo.

A necessidade de controle.

A sensação de urgência.

E, quando isso acontece, o cérebro procura o caminho mais conhecido.

Mesmo que ele machuque.

Porque o conhecido parece mais seguro do que o novo.

É por isso que tantas pessoas repetem comportamentos que elas mesmas não entendem.

Não porque gostam de sofrer.

Mas porque o cérebro está tentando protegê-las da única maneira que aprendeu.


A boa notícia.


O cérebro aprende.

Mas ele também reaprende.

E essa talvez seja uma das descobertas mais bonitas da Psicologia.

Cada vez que você identifica um pensamento automático.

Cada vez que escolhe um limite saudável.

Cada vez que responde de forma diferente.

Você começa a abrir uma nova trilha.

No início ela parece difícil.

Estranha.

Desconfortável.

Mas, com o tempo...

Ela também se torna um caminho conhecido.

É assim que mudanças profundas acontecem.

Não em um grande salto.

Mas em pequenas escolhas repetidas.


Como a terapia ajuda?


A terapia não existe para dizer como você deve viver.

Ela existe para ajudá-la a entender por que você vive da forma que vive.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, investigamos os pensamentos automáticos, as crenças construídas ao longo da vida e os padrões que se repetem sem que você perceba.

O objetivo não é apagar a sua história.

É fazer com que ela deixe de escrever, sozinha, os próximos capítulos.


Um ponto por vez.


Talvez você tenha chegado até aqui procurando responder à pergunta:

"Por que repito os mesmos padrões?"

Espero que esteja indo embora com uma pergunta diferente:

"Qual será o primeiro pequeno passo que posso dar hoje?"

Porque grandes transformações raramente começam com grandes decisões.

Elas começam com pequenos movimentos.

Um pensamento questionado.

Um limite estabelecido.

Uma conversa.

Um pedido de ajuda.

Uma escolha diferente.

É assim que novas histórias começam.

Um ponto por vez.


Que tal dar o primeiro passo?


Se este texto fez sentido para você, talvez este seja o momento de olhar para a sua história com mais gentileza.

Meu trabalho como psicóloga é oferecer um espaço seguro para que você compreenda seus padrões, fortaleça seus recursos emocionais e construa formas mais saudáveis de enfrentar os desafios da vida.

Atendo adultos na modalidade on-line, utilizando a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Psicologia Positiva, sempre respeitando o ritmo, a história e a singularidade de cada pessoa.

Se sentir que este é o seu momento, será um prazer caminhar ao seu lado.


Um ponto por vez.


Este blog nasceu da certeza de que grandes transformações não acontecem de uma só vez.

Elas acontecem quando escolhemos permanecer.

Quando desenvolvemos consciência.

Quando damos um passo de cada vez, mesmo sem enxergar todo o caminho.

Espero encontrar você no próximo artigo.


 
 
 

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